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15 de agosto de 2017
CACHACA, BRASIL, Cachaca brasileira encontra espaco na Europa gracas a sua producao diferenciada

 

     Quando alguém lá em Pernambuco bate a mão no balcão e pede a cachaça Sanhaçu, não está pedindo uma pinga qualquer. Entre centenas de engenhos que produzem a bebida no estado, é justamente a Sanhaçu que ostenta o título de primeira cachaçaria orgânica certificada de Pernambuco. E mais: em 2015 tornou-se o primeiro engenho do país movido a energia solar.

A ideia de produzir uma bebida que é praticamente a expressão da brasilidade de maneira orgânica e sustentável partiu da família Barreto Silva, do município pernambucano de Chã Grande. Mais do que estratégia de diferenciação no mercado nacional, os Barretos miram nas possibilidades no mercado externo. “Descobrimos que há muito espaço para a nossa bebida lá fora”, diz Oto Barreto, o presidente da Sanhaçu.

Não por acaso, a empresa participou do segundo ciclo do projeto ICV Global, fruto de uma parceria entre a Apex-Brasil e o Centro de Estudos em Sustentabilidade (GVces) da Fundação Getulio Vargas (FGV), que prepara empresas com DNA de sustentabilidade para o mercado internacional. Justamente um dos pilares da campanha Be Brasil, que promove um Brasil confiável, estratégico e inovador como parceiro de negócios no exterior.

O Blog da Apex-Brasil aproveitou uma atividade do projeto para trocar uma palavrinha com Oto Barreto, que se preparava para enviar a primeira remessa da cachaça Sanhaçu para a Áustria.
Confira!

De onde veio a decisão de trabalhar com um produto orgânico e sustentável?
A ideia foi da minha família. Nós somos do Recife e nos mudamos para o interior há 25 anos, onde trabalhamos com produtos orgânicos, focados em hortifruti. Depois de 15 anos no mercado, achamos melhor mudar para produção de cachaça. Foi uma decisão difícil e drástica, mas, graças a Deus, foi uma mudança para melhor. Hoje, nós somos a primeira e única cachaça orgânica de Pernambuco e a primeira no Brasil a pensar em energia renovável para mover o engenho.

Mas como é que surgiu essa mudança de hortifruti para cachaça? São negócios tão diferentes...
Eu sou engenheiro mecânico e trabalhei dois anos em siderurgia. Era um trabalho tenso e muito pesado. Então, resolvi largar tudo e morar com meu pai no interior para ajudá-lo na produção de hortifruti. Foi um negócio que durou 15 anos e cujo resultado financeiro era muito baixo. Cheguei a retomar minhas atividades de engenheiro para sustentar a família. Então eu pensei: um dia eu volto para montar uma empresa. E foi o que fizemos. Nós vimos que os principais problemas do hortifruti eram os prazos de validade, muito curtos, e o valor agregado, muito baixo. Precisávamos de um produto com valor agregado com a vida útil e aí veio a ideia da cachaça.

E por que a cachaça?
A gente adora. Eu tomo cachaça com muito orgulho, com muito prazer, e regularmente. Mas sempre as bebidas de qualidade. Começamos a notar que, quando você bebe um produto especial, não tem aquela ânsia de beber muito, que é o que o mercado prega. Quando o consumidor paga por um produto diferenciado, ele bebe para degustar, e não para se embriagar. Por isso a decisão de produzir uma cachaça orgânica, que agrega valor.

E como foi a receptividade da Sanhaçu?
Foi ótima! Em 2007, a gente lançou a Sanhaçu no mercado com passos curtos, mas firmes. Participamos de concursos e fomos muito bem. Conquistamos algumas medalhas, algumas internacionais, como as de Bruxelas, China, Estados Unidos. Sempre em parceria com Sebrae, com a Apex-Brasil, a FGV e muitas outras instituições.

E a participação no ICV Global? Como que o programa ajudou o seu projeto?
Ajudou muito! Eu conhecia a FGV quando eu trabalhava com a agricultura. Tudo que vir da FGV, se eu puder participar, pode até ser tricô e crochê, eu quero participar. Então, quando surgiu essa oportunidade, com custos tão baixos, perto de casa, não pensamos duas vezes.

Daí veio a ideia de exportar o seu produto?
A gente não estava pensando em exportar ainda. Mas, ao fim do primeiro ciclo do programa, vimos que era possível. Fizemos um plano de negócios, adaptamos a empesa e fizemos parte do Design Export e do PEIEX, ambos programas de qualificação ligados à Apex-Brasil.

E como foram esses cursos de qualificação?
Eu digo que o ICV ajudou a gente da porteira para fora, como a gente enxerga o mercado. E o PEIEX e o Design Export da porteira para dentro. Conseguimos casar essas duas partes e hoje estamos fazendo nossa primeira exportação para Áustria. Então foi tudo sincronizado. Ocorreu tudo do jeito que a gente queria, porque nossa empresa é relativamente pequena. Jamais imaginei poder exportar o meu produto e antender o mercado externo.

Você aprendeu que não pode abandonar o mercado interno.
Isso! E aí a gente procurou um parceiro que fosse adaptado à nossa realidade. Achamos esse parceiro, que é uma comercial exportadora. Foi ela que identificou um comércio online de bebidas alcoólicas que atende toda a Europa. Acabamos entrando no cardápio desse site, que possui outras seis marcas brasileiras. Pra você ver, o Brasil tem 4 mil marcas de cachaça. Esse meu parceiro trabalha com 400 das melhores marcas. Nossos atributos de sustentabilidade, claro, pesaram muito para sermos escolhidos

Que ponto você acha que ICV Global mais ajudou vocês?
Eu acho que a gente perdeu o medo de exportar. A gente sempre achou que exportar era coisa de quem era muito grande, de quem fabrica milhões de litros, e a gente viu que não é nada disso. Principalmente, pensando nos atributos de sustentabilidade, quem tá lá fora tá procurando empresas realmente pequenas, familiares, orgânicas. Ou seja: com o nosso perfil. Então, a gente abriu os olhos para o mundo.

Fuente: APEX

Fernando Fetahe, Especialista en prospección y desarrollo de negocios


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